quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Protestos orquestrados pelos EUA estão desestabilizando a Ucrânia

Ucrânia, um exemplo a ser evitado pelo Brasil

12/2/2014, [*] Paul Craig RobertsInstitute for Political Economy
Traduzido por João Aroldo


Manifestante ucraniano provoca violência e queima de pneus em Kiev
Os protestos na Ucrânia ocidental são organizados pela CIA, o Departamento de Estado dos EUA, e organizações não governamentais (ONGs) financiadas por Washington e pela UE e que trabalham em conjunto com a CIA e o Departamento de Estado. O objetivo dos protestos é derrubar a decisão do governo independente da Ucrânia de não aderir à UE (União Europeia) .

Os EUA e a UE estavam inicialmente cooperando no esforço de destruir a independência da Ucrânia e torná-la uma entidade subserviente ao governo da UE em Bruxelas. Para o governo da UE, o objetivo é expandir a UE. Para os EUA, os objetivos são tornar a Ucrânia disponível para saques por bancos e empresas norte-americanas e trazer a Ucrânia à OTAN para que Washington possa ganhar mais bases militares na fronteira da Rússia. Há três países que estão no caminho da hegemonia de Washington sobre o mundo a Rússia, China e o Irã. Cada um destes países é alvo de Washington para ser derrubado ou para ter sua soberania degradada pela propaganda e bases militares dos EUA que deixam os países vulneráveis a ataques, coagindo-os a aceitar a vontade de Washington.

O problema que surgiu entre os EUA e a UE no que respeita à Ucrânia é que os europeus já perceberam que a conquista da Ucrânia é uma ameaça direta para a Rússia, que pode cortar o óleo e gás natural para a Europa e, se houver guerra, destruir completamente a Europa. Consequentemente, a UE tornou-se disposta a parar de provocar os protestos na Ucrânia.

Victoria "F*ck European Union" Nuland
A resposta da secretária de Estado adjunto neoconservadora, Victoria Nuland, nomeada pelo ambíguo Obama, foi foda-se a União Europeia, após o que ela passou a descrever os membros do governo da Ucrânia que Washington tende a impor a um povo tão inconsciente a ponto de acreditar que eles estão conseguindo independência correndo para os braços de Washington. Eu pensava que nenhuma população pode ser tão inconsciente como a população dos EUA. Mas eu estava errado. Os ucranianos ocidentais são mais inconscientes do que os americanos.

A orquestração da “crise” na Ucrânia é fácil. A secretária-assistente de Estado neoconservadora Victoria Nuland disse ao National Press Club em Washington, em 13 de dezembro de 2013, que os EUA têm “investido” 5 bilhões de dólares em agitação na Ucrânia. Assista vídeo a seguir (em inglês):


A crise reside essencialmente no oeste da Ucrânia, onde ideias românticas sobre a opressão da Rússia são fortes, e a população é menos russa que no leste da Ucrânia.

O ódio da Rússia na Ucrânia ocidental é tão disfuncional que os manifestantes enganados não percebem que a adesão à UE significa o fim da independência e domínio pelos burocratas da UE em Bruxelas, o Banco Central Europeu e as corporações dos EUA. Talvez a Ucrânia seja dois países. A metade ocidental poderia ser dada à União Europeia e às corporações norte-americanas, e a metade oriental poderia ser reincorporada como parte da Rússia, onde toda a Ucrânia residiu por tanto tempo quanto existem os EUA.

O descontentamento da Rússia que existe no oeste da Ucrânia torna mais fácil para a UE e os EUA causarem problemas. Aqueles em Washington e na Europa que desejam destruir a independência da Ucrânia retratam uma Ucrânia independente como refém da Rússia, enquanto uma Ucrânia na UE estaria, alegadamente, sob a proteção dos EUA e Europa. As grandes quantias de dinheiro que Washington envia para ONGs na Ucrânia propagam essa ideia e trabalham a população em um frenesi sem sentido. Eu nunca na minha vida presenciei pessoas tão estúpidas como os manifestantes ucranianos que estão destruindo a independência de seu país.

Grupo Pussy Riot em apresentação
As ONGs financiadas pelos EUA e pela UE são quintas colunas concebidas para destruir a independência dos países em que operam. Algumas fingem ser "organizações de direitos humanos." Outras doutrinam as pessoas sob o disfarce de "programas de educação" e "construção da democracia". Outras, especialmente as que são geridas pela CIA, especializam-se em provocações como Pussy Riot. Poucas destas ONGs são legítimas, se é que existe alguma legítima. Mas elas são arrogantes. O chefe de uma das ONGs anunciou antes das eleições iranianas em que Mousavi era o candidato de Washington e da CIA que a eleição resultaria em uma Revolução Verde. Ele sabia disso de antemão, porque ajudou a financiá-la com o dinheiro dos contribuintes norte-americanos. Eu escrevi sobre isso naquele momento. O artigo pode ser encontrado em meu site, e em meu livro recém-publicado, How America Was Lost.

Os “manifestantes” ucranianos têm sido violentos, mas a polícia tem sido contida. Washington tem interesse em manter os protestos na esperança de transformá-los em revolta para que Washington possa tomar a Ucrânia. Esta semana, a Câmara dos EUA aprovou uma resolução ameaçando sanções caso os protestos violentos sejam reprimidos pela polícia.

Em outras palavras, se a polícia ucraniana se comportar com os manifestantes violentos da maneira que a polícia dos Estados Unidos se comporta em relação aos manifestantes pacíficos, é razão para Washington interferir nos assuntos internos da Ucrânia. Washington está usando os protestos para destruir a independência da Ucrânia e tem pronta a lista de fantoches que Washington pretende instalar no próximo governo da Ucrânia.
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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. 
Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.


2 comentários:

  1. Grata pela matéria, elucidativa e importante, história mundial, capítulo Ucrânia 2014, Matéria corajosa, entra fundo nas estratégias e táticas predatórias norte americanas
    Leitura de qualidade. Tks..
    Abraços.

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    1. Grato, Regina. Procuramos sempre o melhor.
      Castor

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