quinta-feira, 19 de maio de 2011

Enrolada na farinha?


Publicado em 18/05/2011 por Rui Martins

Eu tinha decidido no domingo, colocar uma pá de cal nessa história de CRBE, mas sou praticamente obrigado a voltar ao assunto.

Rui Martins - O Expulso
Recebi pelo Facebook um vídeo, Youtube, da Vejatv, no qual minha (ex?) colega do CRBE, Esther Sanchez, afirma não ter havido expulsão e explica com a maior segurança ter havido uma espécie de advertência para que eu mude meu comportamento. Coisa nada grave, que terei três meses para responder e ficando bonzinho tudo entra de novo nos eixos.

Esther me parece sincera, tanto que pede ao pastor Silair para corrigir sua informação ao Gazetanews de ter havido um suplente pela Europa desligado do CRBE, ou seja, eu mesmo.

Porém, no documento que recebi do Itamaraty, com as assinaturas dos conselheiros que pediram meu «desligamento», está no quinto lugar, a assinatura bem visível de Esther Sanchez-Naek. Existem, portanto, três hipóteses – a primeira é a de que Esther não assinou, alguém assinou por ela; a segunda, é que ela assinou sem ler o que assinava; e a terceira, é a de ter sido «enrolada» por outro conselheiro, pensando estar assinando advertência mas assinando na verdade expulsão, ou numa linguagem mais amena, desligamento.

Para evitar que o vídeo da Esther Sanchez crie confusão entre os emigrantes nos EUA, sou praticamente obrigado a voltar ao assunto para explicar que houve sim um pedido de meu afastamento ou expulsão ou expurgo pelos meus «colegas» do CRBE. Ou seja, a iniciativa foi tomada por eles.

Mesmo porque acabo de ver no Facebook, outra informação de que não fui expulso, de Monica Pereira, conselheira pela Europa. Não acho que os conselheiros do CRBE sejam pessoas que não saibam o que assinam, mas são pessoas que precisam aprender a assumir o que assinam e não ficar agora com medo da confusão armada.

Como disse o companheiro emigrante Romão, da rádio Mamaterra, da comunidade brasileira em Berlim - «vocês se lembram se na ditadura militar se cassava também suplente?» Sim, como é que um suplente pode causar tanto reboliço, são 16 contra 1, e ainda precisa expulsar?

Voltando ao pedido de expulsão, como vivemos numa democracia tenho um prazo de dez dias para responder, se quiser responder, e se instaurou um processo administrativo que, dentro de um prazo máximo de três meses, dará seu parecer.

Disseram para Esther e ela assim diz no vídeo que tenho três meses para mudar de comportamento, não é bem isso.

Mas o que diz o artigo do regulamento do CRBE no qual se basearam meus inquisidores, capaz de justificar minha expulsão por eles tão almejada?

Transcrevo - «os conselheiros do CRBE deverão portar-se, no desempenho de seus mandatos e em suas vidas públicas, de maneira condizente com a importância e representatividade do cargo que ocupam, com especial atenção à moralidade e à impessoalidade de suas funções».

E do que sou acusado?

Transcrevo - «...desde sua posse, tem divulgado informações negativas acerca da utilidade e eficiência do CRBE, redigindo artigos e comentários, solicitando a dissolução do Conselho e lançado uma campanha através de redes sociais, mailing imprensa virtual contra o Conselho e seus membros».

Vocês viram alguma ligação direta entre o regulamento e a acusação? Não há, é preciso procurar com lupa.

Qual é, então, o problema? Na verdade, sou considerado um danado de um subversivo que vive infernizando a vida deles com artigos na imprensa E tenho a impressão de estar vivendo nos anos 70, quando era forte a repressão da ditadura militar e o próprio Estadão era obrigado a colocar versos de Camões em lugar de notícias e comentários.

Meus caros colegas do CRBE têm o comportamento de censores e inquisidores. Não suportam críticas e na falta de poderem queimar na fogueira meu colega jornalista da Época, autor do artigo Um Conselho Desaconselhável, pegaram o conselheiro-suplente-jornalista mais perto para servir de bode expiatório.

E vejam bem, não fui eu quem escreveu sobre cartões de visita, sobre viagens em classe executiva, sobre guerra de titulares-suplentes. Mas sou responsabilizado pelo «desgaste provocado por todos os incidentes ocorridos desde dezembro de 2010». Que desgaste, que incidentes?

Ao que eu saiba, e a Época, noticiou, o CRBE passou esses meses, antes de se reunir em Brasília, sem incidente por simplesmente não ter feito nada. Dizem que o relatório dos EUA tinha dez linhas. Um conselheiro colocou entre suas atividades o fato de ter assinado o livro de condolências pela morte do nosso vice-presidente e coisas parecidas. Um conselheiro foi vaiado no encontro do Focus Brasil. Uma conselheira, não nos EUA, deu uma festa de arromba na qual a entrada era o passaporte para se poder votar. Um candidato a conselheiro, em Barcelona, foi vítima de uma sórdida campanha de difamação. Outro é funcionário do Consulado. Isso sem se falar no meu artigo, publicado aqui no Direto, sobre «padres, pastores e despachantes». Eu não sou o culpado por isso, e todas essas coisas se enquadram no artigo 33 do CRBE e constituem, isso sim, infrações.

Vejam bem, quando há desfuncionamento e falhas em alguma coisa, não é o jornalista que publica a crítica o culpado. E no caso do CRBE, minhas críticas não tratam de pessoas e sim de conceitos. E, infelizmente, não sou um jornalista lido por tanta gente, que possa afetar o funcionamento do CRBE.

E para terminar, quero tornar pública uma grande mágoa que me foi profunda, ao ter em mãos o documento pedindo minha expulsão ou afastamento do CRBE, porque vi ali no quarto lugar a assinatura de alguém por cuja eleição lutei e, tive aquele reflexo, de me dizer, na minha decepção e tristeza, «até tu Brutus?».

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